Preparem-se, este post será longo!
Puto Demais falou tudo!!!
Desde a questão do risco que todos os que tomam decisões estão expostos até o ponto chave sobre lealdade. A quem devemos lealdade? A qualquer FDP que por conta de uma portaria de diabo vira deus? Ou à entidade que possui missão, visão e valores e que consta como principal fonte de renda em nossas declarações à Receita Federal? Abaixo quero publicar na íntegra um desabafo feito por um colega de Brasília que mesmo não tendo nenhuma amarra teve a coragem de se expor internamente para defender seu ponto de vista que tenho certeza é compartilhado pela maioria das pessoas que devem estar nos lendo, são coisas que estão entaladas na garganta de todo mundo. Quem teve acesso a esse e-mail sabe de quem estamos falando e para quem esse colega estava falando. Segue o texto:
Prezados,
Com todo o respeito à determinação da Diretoria, entendo que o caso não é de “contingência”. Situações contingenciais são aquelas esporádicas, eventuais, inesperadas e/ou temporárias. A situação que vive a Empresa atualmente, a meu ver, não se enquadra neste conceito, parecendo ser, simplesmente, o óbvio resultado de um processo que só poderia fazê-la chegar aonde infelizmente chegou.
Desde o escândalo “Maurício Marinho”, a Empresa parece ter perdido qualquer senso da sua história, da sua missão e da sua identidade. Em outras palavras, podemos dizer que a Empresa deixou de ter verdades e valores próprios e, ao perder essas referências, perdeu a capacidade de defender os seus autênticos interesses, quais sejam, aqueles que derivam diretamente da sua missão e da sua razão de existir como empresa pública. Desde então, essa espécie de “depressão empresarial” tem se manifestado nas mais diversas frentes de relacionamento da Empresa fazendo com que ela seja flagrantemente aviltada nos seus reais interesses institucionais.
A pouca transparência com que uma série de medidas administrativas vem sendo tomadas, notadamente as que têm culminado com a punição e demissão de colegas, não permite que os atuais gestores saibam, com clareza, o que foi feito de certo ou errado no passado. A forma como vem sendo conduzido todo esse processo, além de subtrair o caráter de aprendizado que toda atividade de controle deve ter, acaba difundindo nos atuais gestores uma justificada insegurança, fazendo com que esse gigantesco e traumático esforço organizacional esteja proporcionando pouco ou nenhum benefício para o presente e futuro da Organização. Não são desprovidas de razão as dúvidas que grande parte dos gestores da Empresa tem quanto ao que está por trás de todo este processo: se o anseio de apurar e esclarecer objetivamente os fatos do passado ou, atender vontades outras, construindo versões que justifiquem a punição, a humilhação e a desmoralização de colegas que dedicaram toda uma vida de trabalho sério, honesto e competente à ECT.
Em tal conjuntura, a Empresa não apenas se abstém de lançar luz sobre o seu passado, mas também degrada o seu presente e obscurece seu futuro. Ao invés do debate aberto sobre a correção, ou incorreção, de tudo o que aqui se fez, prefere delegar a alguns colegas quase todos com pouca ou nenhuma vivência em cargos de gestão, a autoridade de serem os “senhores da verdade” e de declararem o conteúdo técnico, administrativo, jurídico e moral de inúmeros atos e decisões do passado, valorizando as ilações subjetivas e adjetivas em detrimento da apreciação objetiva e substantiva dos fatos. Ao fazer esta opção a Empresa dá uma clara sinalização aos gestores atuais, qual seja a de que tudo o que for feito, por mais correto que seja, poderá vir a ser declarado errado no futuro, E com tal sinalização, do ponto de vista pessoal, a melhor coisa que qualquer gesto pode fazer é, justamente, não fazer.
É a consolidação dessa ideologia do “não fazer”, e a nossa acomodação diante da mesma, que tem levado a Empresa a não se suprir dos recursos necessários ao cumprimento de sua missão. Aliás, a missão constitucional da ECT, que é a de prestar os serviços postais com qualidade, passou a ser desprezada e abandonada quando confrontada com qualquer outro interesse ou com qualquer medo de quem, em determinado momento, tem que por sua assinatura para que algo aconteça na Empresa. E nesta toada, os componentes essenciais ao bom funcionamento do processo produtivo da ECT (transporte, mão-de-obra, sistemas, unitizadores, gestores, etc) foram escasseando ou mesmo desaparecendo.
E o resultado não poderia ser outro. Desde o final do ano passado que a ECT vem atingindo padrões de qualidade verdadeiramente vergonhosos. A,confiança dos clientes já está bastante abalada e tende a deixar de existir. Postar uma encomenda ou uma carta passou a ser uma aposta, pois a probabilidade de que sejam entregues no prazo prometido é, praticamente, a mesma de que sofram atraso. Enfim, o que se observa hoje em boa parte da Diretorias Regionais é que a ECT, da forma como se tornou conhecida e reconhecida, deixou de existir. Infelizmente, no que tange à qualidade dos serviços postais, o que temos em alguns Estados é algo bastante similar ao desacreditado e extinto DCT.
A conjuntura atual torna bastante incerto o futuro da ECT. Se hoje temos um Governo Federal com uma postura ideológica contrária a privatizações, amanhã poderemos não ter. Nesta hipótese, o quadro a ser apresentado aos novos governantes poderá ser o de uma organização, por um lado, ineficiente e decadente, com níveis de serviço em uma tendência irreversível de degradação, e, por outro lado, onde reina a improbidade administrativa.
Queiramos, ou não, este é o quadro a ser percebido por quem quer que se dedique a conhecer o momento atual da Empresa. Infelizmente, um quadro real e falso ao mesmo tempo. Real no que tange a qualidade dos serviços, pois é o que sinalizam os dados objetivos gerados pelos sistemas corporativos de aferição do desempenho operacional da Empresa. Mas falso no que tange ao ambiente de improbidade, pois decorrente de inúmeras sindicâncias onde, em boa parte dos casos, a preocupação parece não ter sido a de elucidar os fatos, mas simplesmente a de encontrar culpados, a qualquer custo.
Somos de um tempo em que a Empresa não ERA apenas um orgulho dos ecetistas, mas um orgulho dos brasileiros. Todos nós que temos algum tempo de empresa perdemos a conta de quantas vezes, ao nos apresentarmos como empregados dos Correios ouvimos elogios do tipo: “única estatal que funciona no Brasil”; “exemplo de como um serviço público deve ser prestado”;”a instituição em que mais se pode confiar”; “modelo de eficiência” etc.
Um tempo em que, diante de qualquer adversidade, a Empresa se mobilizava como um conjunto articulado e os problemas eram enfrentados e sanados com uma agilidade tal que sequer eram percebidos pelos clientes e pela sociedade. Aliás, somos de um tempo em que existia liderança, autoridade e disciplina na organização, requisitos estes que alinhavam as ações e a postura das inúmeras unidades operacionais, comerciais e administrativas, em todos os níveis, à missão constitucional da Empresa.
Um tempo em que a Empresa sabia manter relacionamentos equilibrados com sindicatos, órgãos de controle, fornecedores, empregados, políticos e clientes, pontuando com firmeza os aspectos essenciais aos seus autênticos interesses, sem jamais ser negligente, submissa, prepotente, covarde, complacente ou desleal nas suas interações com os agentes acima mencionados.
Um tempo em que a Empresa sabia quem era e o que queria, assim como sabia quem era cada um dos seus empregados, e quando era surpreendida com a má conduta de algum deles, as conseqüências eram imediatas, justas e restritas a quem de direito.
O caminho que a Empresa está trilhando só conduz a dois destinos: o de ser uma estatal ineficiente e desacreditada ou a de não mais ser uma estatal. E não são medidas contingenciais que terão o condão de reverter este processo. Contingência já é o que vem sendo feito desde que a Empresa parou de comprar veículos e unitizadores; é o que vem sendo feito desde que a Empresa parou de repor as vagas operacionais e parou de contratar MOT; é o que vem sendo feito desde que a Empresa passou a se ver impossibilitada de contratar linhas da RPN. Os resultados operacionais que a Empresa vem obtendo são as evidências de que as contingências se esgotaram e, como tal, não surtem mais efeito.
O que a Empresa precisa urgentemente é:
- Comprar veículos;
- Comprar unitizadores;
- Repor as vagas;
- Contratar MOT;
- Recompor a malha da RPN.
A ECT se tornou um exemplo de Estatal no passado, porque tinha a coragem de fazer prevalecer seus autênticos interesses. Se a Empresa não modificar o rumo da sua caminhada, de forma que possa reencontrar a coragem de decidir e fazer, lhe restará a adoção de medidas superficiais que, quando muito, poderão apenas prolongar por alguns dias esse estado de agonia, mas sem qualquer expectativa de reversão desse processo de degradação institucional em que se encontra.
Peço desculpas pelo incômodo que o tamanho e/ou o conteúdo do texto podem causar, até mesmo repetindo colocações que fiz em outras ocasiões, mas acho que a Empresa não tem mais tempo para ficar fugindo de si mesma, evitando encarar as verdadeiras causas deste estado de coisas.
Um abraço
Ao colega que teve a coragem de se expor e dizer claramente essas palavras dizemos nossos Parabéns! Por conseguir manter-se indignado quando o que vemos é muitas vezes o contrário. O esforço agora é o de tentarmos criar mecanismos que possam blindar os Correios contra essa corja. Uma corja que mantém o status quo através de ações que sucateiam nossa empresa, atendendo a interesses escusos. Sabe por onde podemos começar? DENUNCIANDO!!!!! Se você sabe de algo que está errado ponha a boca no trombone! Nos links ao lado temos três locais onde podem ser feitas denúncias anônimas. Com estratégia e inteligência faremos uma resistência que gerará resultados, sem, no entanto, gerar mártires. Ninguém precisa ser mártir, todos devemos ser cidadãos.
Nos próximos posts estaremos tentando resgatar o orgulho de estar no quadro de funcionários dessa empresa, tentando resgatar nossa Identidade Postal. Precisamos manter a capacidade de ficar indignados para não deixarem tomar esse patrimônio do nosso futuro, do futuro de nossas famílias!
terça-feira, 4 de maio de 2010
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Concordo em tudo com o nosso colega. Agora o pior é que a "nossa" auditoria interna está mais preocupada em achar culpados, nem que seja na marra e por mais inocente que seja, do que realmente ver o que precisa ser corrigido e auxiliar na correção. Eu tive o "provilégio" de ver um dos relatórios feitos por eles e me senti envergonhado em observar que aqueles "profissionais" nem conhecem a empresa a qual trabalham, muito menos a legislação. Para quem conhece, sabe-se que um contrato por Ata de Registro de Preço não possui bloqueio orçamentário e os auditores estavam reclamando do bloqueio orçamentário do processo de contratação... tive que rir para não chorar de desespero... Mas vamos tocar o barco...
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